Batistas proeminentes na História

The-Time-Spurgeon-Almost-Quit-NO-text.jpg
Charles Haddon Spurgeon

Ao longo da história dos batistas, muitos nomes se destacaram por sua atuação. Alguns foram esquecidos pela historiografia e corrigir completamente tal injustiça é uma tarefa impossível. Da mesma forma, seria impossível apresentarmos todos de uma só vez. Assim, de forma didática, destacaremos três líderes que marcaram o século em que viveram. William Carey, no século XVIII, Charles Spurgeon, no século XIX, e Martin Luther King Jr. no século XX.

William Carey

William Carey nasceu em 1761, na Inglaterra. Seu pai era um tecelão que trabalhava em casa. Aos 16 anos iniciou sua carreira como aprendiz de sapateiro. Carey ficou nessa profissão até os 28 anos. Ele converteu-se aos 18 anos e ingressou na Igreja Batista. Com dezenove anos, William Carey se casou com Dorothy, cunhada de seu patrão. Em 1785, Carey recebeu o convite para ser pastor de tempo parcial (continuou trabalhando como sapateiro) em uma pequena comunidade batista da Inglaterra. Mais tarde, foi chamado para pastorear uma igreja maior em Leicester, mas, mesmo assim, ainda precisava trabalhar secularmente para sustentar a família.

A igreja da qual William Carey fazia parte era uma igreja batista particular, isto é, calvinista. E os calvinistas acreditam na doutrina da predestinação. O calvinismo acentuado, denominado de hipercalvinismo, acredita que não é preciso fazer missões, pois quem for predestinado a ser salvo irá se converter por providência divina. Então, naquele contexto, as igrejas não viam necessidade de preparar e enviar missionários, e Carey ficava muito angustiado com isso. Foi para quebrar essa mentalidade que ele escreveu um tratado intitulado “Uma investigação sobre o dever dos cristãos de empregarem meios para a conversão dos pagãos” (1792). Tratava-se de uma exposição e análise do mundo de seus dias que refletia a necessidade urgente da pregação do evangelho às nações de todos os continentes. Nesse tratado, Carey também expõe argumentos lógicos e teológicos apresentando-os como fundamentos para o envio de missionários aos pagãos, frisando especialmente que o Reino de Deus tem que ser proclamado a toda a terra. 

A força dos argumentos de Carey e o vigor do seu entusiasmo resultaram na formação da Sociedade Missionária Batista, organizada em setembro de 1792. Menos de um ano depois, em junho de 1793, ele e sua família partiram para a Índia como membro da referida sociedade. Carey chegou em Hooghly no dia 11 de novembro de 1793, marcando o início da grande era das missões além mar, promovidas pela Inglaterra e Estados Unidos.

O trabalho de Carey na Índia foi muito relevante. Considerado o pai das missões modernas, além da pregação do evangelho e tradução da Bíblia, lutou contra a queima de viúvas e o assassinato de crianças que ocorria naquela sociedade. Também instituiu na Índia uma igreja autóctone, com a Bíblia na língua do povo, com uma liderança nativa e traços distintivos que não fossem importados da Europa.

Charles Spurgeon

Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de Junho de 1834, como o primogênito de 16 irmãos, de John Spurgeon e sua esposa Eliza Jarvis, em Keveldon, e foi batizado em 3 de agosto desse ano por seu avô, pastor congregacional, James Spurgeon. Em agosto de 1835, seus pais se mudaram para Colchester, e entregaram Charles aos cuidados de seu avô, com quem viveu até os 5 anos. Spurgeon cursou seus estudos em Colchester até 1848, indo depois a Newmarket para estudar numa escola localizada na área de Cambridgeshire.

De 1848 a 1850, Charles Spurgeon teve um período de muitas dúvidas e amarguras. Esteve sob grande convicção de pecado. Ficou convicto que não era um cristão de fato, mesmo sendo criado em todo o ambiente religioso de sua família e região, e sobre forte influência puritana. Em janeiro de 1850 ele se converteu e foi batizado pelo pastor batista da Igreja de Islehan, W.W.Cantolw, no rio Lark, em 3 de maio de 1850, e foi aceito na congregação batista particular de Newmarket. Assim, Spurgeon tornou-se um batista calvinista.

Depois, Spurgeon começou a distribuir folhetos nas ruas e a ensinar a Bíblia na Escola Dominical para crianças. Em agosto, mudou-se para Cambridge. Trabalhou na escola dominical também. Nesse mesmo ano, pregou seu primeiro sermão em Teversham. Em outubro de 1851, foi convidado a pregar na Igreja Batista de Waterbeach, ao norte de Cambridge. A congregação então cresceu rapidamente. Em Janeiro de 1852, Spurgeon aceitou o pastorado efetivo dessa Capela. A fama de Spurgeon logo cresceu na região, como um potente pregador. Em 1854, os membros da Igreja de New Park Street, sem pastor efetivo desde 1853, convidaram de novo o jovem a pregar, e nessa ocasião, convidaram-lhe para ser testado por seis meses para assumir o pastorado vago da Igreja. Porém, logo em abril de 1854, só 2 meses depois, foi eleito pastor e confirmado no cargo, o qual preencheu efetivamente até 1891.

Spurgeon logo causou muita agitação em Londres. Alguns o criticavam pelo seu estilo de pregação. Alguns o consideravam muito teatral. Mesmo com a oposição, a antes vazia e reduzida congregação atraiu a atenção de tantos. Nos anos que se seguiram, o templo, antes vazio, não suportava a audiência, que chegou a dez mil pessoas, somado a assistência de todos os cultos da semana. O número de pessoas era tão grande que as ruas próximas à igreja se tomaram intransitáveis. Com o passar do tempo, Charles Haddon Spurgeon se tornou uma celebridade mundial. Recebia convites para pregar em outras cidades da Inglaterra, bem como em outros países. Até hoje é muito respeitado, e ficou conhecido como o príncipe dos pregadores e o último dos puritanos.

Martin Luther King Jr.

Martin Luther King, Jr. nasceu em 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de Martin Luther King e de Alberta Williams King. Em 1955, Rosa Parks, uma mulher negra, se negou a dar seu lugar num ônibus para uma mulher branca e foi presa por isso. Os líderes negros da cidade organizaram um boicote aos ônibus de Montgomery para protestar contra a segregação racial em vigor no transporte. Durante a campanha de um ano e dezesseis dias, co-liderada por Martin Luther King, muitas ameaças foram feitas contra a sua vida. Ele foi preso e viu sua casa ser atacada. O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana em tornar ilegal a discriminação racial em transporte público.

King era seguidor das ideias de desobediência civil não violenta preconizadas por Mahatma Gandhi, e aplicava essas ideias nos protestos organizados pelo CLCS. King acertadamente previu que manifestações organizadas e não violentas contra o sistema de segregação predominante no sul dos Estados Unidos, atacadas de modo violento por autoridades racistas e com ampla cobertura da mídia, iriam criar uma opinião pública favorável ao cumprimento dos direitos civis. Essa foi a ação fundamental que fez do debate acerca dos direitos civis o principal assunto político nos Estados Unidos a partir do começo da década de 1960.

King também organizou e liderou marchas a fim de conseguir o direito ao voto, o fim da segregação, o fim das discriminações no trabalho e outros direitos civis básicos. A maior parte destes direitos foi, mais tarde, agregada à lei estado-unidense com a aprovação da Lei de Direitos Civis (1964), e da Lei de Direitos Eleitorais (1965).

Em 14 de outubro de 1964, King se tornou a pessoa mais jovem a receber o Nobel da Paz, que lhe foi outorgado em reconhecimento à sua nação e à sua liderança na resistência não violenta e pelo fim do preconceito racial nos Estados Unidos. Mesmo assim, Martin Luther King era odiado por muitos segregacionistas do sul, o que culminou em seu assassinato no dia 4 de abril de 1968, momentos antes de uma marcha, num hotel da cidade de Memphis. James Earl Ray confessou o crime, mas, anos depois, repudiou sua confissão. Em 1986, foi estabelecido um feriado nacional nos Estados Unidos para homenagear Martin Luther King, sempre na terceira segunda-feira do mês de janeiro, data próxima ao seu aniversário.

João Oliveira Ramos Neto
Bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, bacharel em Teologia pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro, mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorando em História pela Universidade Federal de Goiás

Conheça mais sobre a História da Igreja: https://vidabemmelhor.com/2017/10/06/os-batistas-e-a-reforma-protestante

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Site no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: