A CRUZ (MAIS DO QUE NUNCA) CHEGANDO NAS PROFISSÕES

Você acha que a chamada divina envolve somente cargos eclesiásticos?

Por Valmir Nascimento

A chamada divina é um dos temas mais fascinantes da vida cristã. O assunto vocação celestial abre-nos a visão para um plano belo e perfeito de um Deus supremo que, de modo especial, convoca-nos a vivermos Nele e para Ele. Pelo Texto Sagrado, todo cristão foi chamado pelo propósito de Deus (Rm. 8.28); para ser de Cristo (Rm. 1.6); e para a comunhão com Ele (1Co. 1.9).

Como definiu o sociólogo cristão Os Guinnes: “O chamado é a verdade com que Deus nos chama para si mesmo tão decisivamente que tudo o que somos, tudo o que fazemos e tudo o que temos é investido com devoção especial, dinamismo e direção vividos como resposta à sua convocação e serviço”.
Apesar de fascinante, entretanto, a abordagem dessa temática dentro do círculo ministerial, não poucas vezes, é feita de forma estreita, circunscrevendo a vocação e a mordomia cristã ao âmbito eminentemente eclesiástico. Grosso modo, a compreensão que se tem sobre esse assunto é que o Senhor simplesmente convoca pessoas para atuarem como obreiros efetivos em sua obra, mas vinculados somente a cargos, ofícios ou funções eclesiásticas, menosprezando, com isso, a vocação e o trabalho para além dos limites do átrio da igreja local e das atividades especificamente religiosas.
Com efeito, essa visão distorceu sobremodo a compreensão acerca da chamada divina especifica, transformando-a em sinônimo de função eclesiástica, fazendo crer na necessidade do abandono do trabalho secular a fim de se entregar exclusivamente à obra.
É como se o trabalho secular não tivesse nenhuma importância para Deus ou nenhuma função espiritual. Foi exatamente esse tipo de pensamento que suscitou dúvidas em Sealy Yates, conforme relata Nancy Pearcey em Verdade Absoluta (CPAD). Com apenas vinte e cinco anos ele já havia realizado todos os seu sonhos. Formara-se em Direito, fora aprovado no exame da ordem dos advogados e arrumara um ótimo trabalho. Casara-se com uma mulher maravilhosa, e ambos se ocupavam na criação do primeiro filho. A vida era boa. Porém, faltava algo na vida de Sealy. Ele ainda não estava contente. Apesar do seu sucesso profissional ele ainda não se sentia plenamente feliz, não obstante ser um cristão autêntico.
Sealy tinha convicção da sua chamada para a obra e ainda por cima desenvolvia várias atividades na igreja em que congregava, mas mesmo assim sentia uma grande fome espiritual. A primeira coisa que passou pela sua cabeça foi exatamente sobre as dimensões da chamada divina: Será que deveria sair do trabalho e ir para o campo missionário? Refletiu Yates.
Assim como Sealy – observou Nancy – a maioria de nós, cristãos, assimilamos a idéia de que servir a Deus significa em primeiro lugar fazer a obra de Deus. Se estamos engajados em outras áreas de trabalho, pensamos que servir ao Senhor significa amontoar atividades na igreja – coisas como cultos, estudos bíblicos, evangelismo – em cima de nossas responsabilidades existentes. A grande dificuldade dele era exatamente integrar a sua fé cristã à sua vida profissional.
Nancy escreve: “Onde está Deus em minha vida?, Sealy se perguntava. O que julgara que fosse depressão era um desejo atordoante de que seu trabalho secular tivesse um significado espiritual. Acrescentar atividades eclesiásticas a um trabalho de todo secularizado era com pôr uma moldura religiosa em um pintura secular. A tensão entre a fome espiritual e as exigências de tempo de trabalho puramente “secular” estava dilacerando-o por dentro”, p. 72.
Tempos depois Sealy vislumbrou a possibilidade de conjugar sua fé cristã com a sua atividade profissional. Ele percebeu que as pessoas consultam advogados quando estão passando por dificuldades; viu então que era uma oportunidade fenomenal para ajudá-las a fazer o que é certo. Portanto, Sealy passou a compreender que sua profissão de advogado era sobretudo um forma de ser usado por Deus na obra. Ainda: “Os advogados podem ministrar a cônjuges que procuram divórcio, orientar adolescentes em dificuldade com a lei, aconselhar homens de negócios em conflitos éticos para fazerem o que é certo, confrontar ministérios cristãos que estejam transigindo os princípios bíblicos. A advocacia não é somente um conjunto de procedimentos ou uma técnica argumentativa. É o meio de Deus confrontar o erro, estabelecer a justiça, defender os fracos e promover o bem público”.
Sealy descobriu, portanto, que advogar é muito mais que um modo de ganhar dinheiro e casos. É fundamentalmente um modo de exercer os próprios propósitos de Deus no mundo: promover a justiça e contribuir com o bem da sociedade. Ainda, percebeu que quando estamos em nossos trabalhos, estamos fazendo a obra de Deus. Foi então que ele resgatou a alegria de viver.
De fato, essa é uma dúvida que perturba muitos cristãos convictos que possuem convicção de uma chamada para a obra: Preciso abandonar o trabalho para atender ao Chamado?
A resposta: não necessariamente.
É óbvio que muitos cristãos são chamados para atuarem como “levitas” de Deus; vocacionados e separados para laborarem exclusivamente na obra eclesiástica. Paulo inclusive escreve que quem almeja o episcopado excelente obra deseja ( Tm. 3.1). O apóstolo dos gentios ainda afirmou noutra ocasião que Deus deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros evangelistas, e outros para pastores e doutores (Ef. 4.11). Todavia, é preciso entender que o chamado de Deus para a vida do homem é bem mais amplo que a atuação por meio de cargos ou ofícios na igreja local. Mais que isso, o chamado divino envolve tudo o que somos, fazemos e investimos na obra, em qualquer local e momento. Tudo o que fizermos devemos fazer para a glória de Deus (I Cor. 10.31).
Portanto, atender ao chamado de Deus e fazer a Sua obra não significa necessariamente ser um obreiro de tempo integral e, muitas vezes, não é preciso nem mesmo fazer parte do ministério eclesiástico. É preciso que se entenda que todas as esferas de atuação do homem são campos onde o chamado pode e deve ser exercido, inclusive o local de trabalho dos crentes, onde seus ofícios são considerados por Deus como verdadeiros ministérios.
Ao olharmos para a Bíblia lemos a história de um jovem chamado José, filho de Jacó. Desde cedo ele já havia entendido o propósito e a vocação de Deus para sua vida. José não teve nenhuma função ligada à prática religiosa, mas ele foi uma ferramenta importante usada por Deus para o cumprimento de um propósito. Como governador do Egito, e profissional capacitado, competente e, sobretudo, fiel à Deus, José foi usado como instrumento divino e livrou toda uma nação de período de fome avassaladora. 
E você, tem usado sua profissão como instrumento do Mestre?
Título original: “A atuação profissional do cristão como um chamado divino”

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