Satisfação garantida!

Por Jôer Corrêa Batista   

Fomos persuadidos: o lance da vida é ter certeza de tudo. Educados para correr atrás de certezas e abominar as dúvidas nos tornamos escravos de um sistema que nos prende a uma interminável corrida contra as interrogações. Nosso ambiente respira essa ilusória certeza de que podemos ter certeza de qualquer coisa. Certeza do quê? Repetimos, pleonasticamente, que precisamos ter absoluta certeza, mas o resultado final de nossa busca é frustração.
Veja os slogans comerciais de produtos e serviços que nos são oferecidos, perceba os argumentos usados para nos convencer. As imobiliárias nos dizem que com elas podemos ter “certeza de um bom negócio”, os investidores nos tranqüilizam com sua garantia de bons resultados; produtos nos são oferecidos com “satisfação garantida”; os supermercados nos oferecem “compromisso de menores preços ou o nosso dinheiro de volta”. Como crianças, estamos treinados a submeter a vida à “prova dos nove”.
Entretanto, a nossa pretensa certeza é irônica, zomba de nós, ri de nossa segurança, graceja de nossos esforços em busca de convicções. Por causa dela, quanto mais “certo” estou, mas ansioso fico. A certeza me torna inseguro, frágil e paradoxalmente duvidoso. Por exemplo, quero ter certeza sobre o caráter das pessoas, desejo me relacionar com elas convicto de que as conheço e sei quem são, mas as pessoas são como o clima, o máximo que consigo delas é uma previsão.
Queremos ter certeza do sucesso da cirurgia, do tratamento de saúde, do sentimento alheio, de uma decisão importante, enfim, do futuro. A certeza é tão volátil que as pessoas lançam mão de todos os meios para assegurá-Ia, sentí-la e apalpá-la, caso fosse possível. Caixinhas de promessa, consultas a videntes ou a mortos fazem parte de um extenso cardápio ao qual submetemos a vida com expectativa de que tenhamos provas e evidências que nos tranquilizem. Ledo engano, a certeza absoluta não é apenas um pleonasmo, é uma utopia. 
Quais certezas posso ter? É a vida um emaranhado de interrogações e dúvidas sem respostas? Não! Quando Abraão buscou a certeza do cumprimento da promessa por parte de Deus, Deus lhe deu um sinal, a circuncisão, aquele era o sinal da certeza da aliança (Gn 17), mas lembre-se, a circuncisão é o selo da Fé (Rm 4.11). Quando os fariseus pediram sinais da parte de Jesus para terem a certeza de sua autoridade, a sua resposta foi apontar para o sinal do profeta Jonas, em uma óbvia referência à sua morte e ressurreição (Mt 12.38 à 42). Quando Jó se encontrou no âmago dos acontecimentos inexplicáveis de sua vida, sobrou-lhe uma única certeza, o seu Redentor (Jó 19.25). Ó! Meu querido, deveríamos lembrar que a certeza de cousas que se esperam e a convicção de fatos que se não vêem se chama Fé (Hb 11.1). 
Portanto, meus amados, a nossa certeza é o Senhor, Seu Ser e Atributos; Suas Obras Soberanas. Confie nEle.

Pr. Jôer Corrêa Batista – Igreja Presbiteriana do Brasil
Texto adaptado com título original de “Prova dos nove”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Site no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: