A NATUREZA HUMANA E O DESUMANO DIABO



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O pecado não é um “bicho” dentro de nós. Não é um demônio. É o conhecimento do mal; uma força interior, um poder controlador[1], instalado no nosso ser com a Queda: “Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal” (Gn 3.22a). Para o autor cristão Milard J. Erickson:

Pecado é uma inclinação interior. Pecado não é simplesmente atos errados, mas também pecaminosidade. É uma disposição interior inerente que nos inclina para atos errados. Aqui os motivos são praticamente tão importantes quanto as ações… Não é simplesmente que somos pecadores porque pecamos; pecamos porque somos pecadores [2].

É o oposto ao bem, da Lei de Deus. Contaminou todo o homem, sua vontade, seus sentimentos e os seus pensamentos, seu planejamento e a visão do que pode fazer neste mundo; isso afeta a humanidade, as nações, as práticas. O homem sempre lutou em posição desigual, sendo escravo do pecado – deste conhecimento, desta inclinação ao mal instalado em si, desta mancha, desta oposição a Deus, mas Paulo nos diz que Jesus Cristo pode nos livrar disso: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” Rm 7.24-25a.

Não é somente por um “vazio na alma” que procuramos o pecado. É também por isso, tal fato é inquestionável, mas não se pode ensinar que “é por isso”. Pois, quando temos Cristo em nosso ser, e ainda somos tentados como o apóstolo de Cristo afirmou que também era em Romanos capítulo 7, podemos ficar confusos e achar que não temos Cristo em nós. Aos mais religiosos, antes de dizerem “ah, se você ainda sente tentação é porque não nasceu de novo, não tem Cristo até hoje (já ouvi um pastor dizer que depois que se converteu tudo “sumiu”… “assim” e ele nunca mais teve problemas (!)”; então aos prontos a dizer tal coisa eu pergunto: “será que Paulo não era nascido de novo e não tinha Cristo em Si (ele alegava que tinha) e não tinha sua alma preenchida, tinha ele um vazio na alma e por isso lidava com o pecado?”. Foi Paulo, o grande amigo, pregador, pastor, missionário e ensinador do amor o autor do texto que trata da nossa briga com a natureza humana, este santo homem escreveu Romanos,
conforme aceitam a maioria dos estudiosos bíblicos.

Somos tentados porque temos o pecado em nós. Quando temos o “vazio na alma” por não conhecermos Jesus os problemas com o pecado são maiores pela cegueira espiritual, não temos Cristo; é a carência. Mas quando nascemos de novo e temos Cristo em nós não ficamos imunes ao pecado. Fomos libertos do poder do pecado, não somos mais seu escravo (desta inclinação para o mal), mas não somos agora “impecáveis”, no sentido mais literal da palavra. Uma vez LIBERTOS podemos VENCER, graças a Jesus Cristo, nosso Senhor (Rm 7.24-25a), mas o pecado ainda está ali. Sei que essa é uma verdade que, embora dita, não o é de forma exaustiva nas igrejas hoje e por isso temos muitas pessoas confusas, tentando expulsar demônio onde não há demônio para expulsar. Satanás potencializa o processo, como quando na matemática elevamos um número à certa potência e temos um resultado maior. E ele faz de tudo para isso acontecer, mas se o expulsarmos, e não houver mais demônios na situação, ainda temos ali o pecado que já é por si bastante agravante para lidar. Aqui envolve um relacionamento com Jesus, Autor da nossa salvação (Ele nos resgatou do pecado!), de forma aberta e franca. Podemos conversar com nosso sacrifício pelo pecado! Podemos falar com Ele. Ele entende e sabe tudo, além de ser O sacrifício, foi diretamente tentado pelo pecado (e também pelo diabo) em todas as situações, como nós somos, e hoje pode nos ajudar, mas estamos carregando pedras sozinhos, sem necessidade:

HEBREUS 4
15 – O nosso Grande Sacerdote [o texto está falando de Jesus] não é como aqueles que não são capazes de compreender as nossas fraquezas. Pelo contrário, temos um Grande Sacerdote que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou.
16 – Por isso tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda.(NTLH)

Não adianta expulsar, “amarrar”, “determinar”, “pular em cima”, não se exerce autoridade espiritual sobre o pecado; comecei dizendo que pecado não é um demônio, mas uma inclinação para o mal, um conhecimento, uma força interior, a própria maldade no coração dita por Jesus em Mateus 15:19: “Porque é do coração que vêm os maus pensamentos, os crimes de morte, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, as mentiras e as calúnias”. Amém por podermos exercer autoridade espiritual sobre satanás e seus demônios, mas quando o problema for o pecado você pode suar junto com mais 318 pastores e simplesmente nada vai acontecer! Pecado se trata achegando-se ao Trono de Deus, pelo novo e vivo caminho aberto por Jesus na Cruz, falando com Ele, CONFESSANDO orgulho, arrogância, teimosia, ira, glutonaria, desvio e imoralidade sexual e afins. Para receber ira e juízo? Não, para “receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda”. Sempre, mesmo que este sempre seja a cada minuto, não desanime, irmão(ã), DEUS NÃO VAI SE CANSAR POR VOCÊ PEDIR AJUDA, ELE VAI LHE TORNAR FORTE.

Gostaria de enxergar isso claramente, até porque alguns na Igreja olham os pecadores como se estivem num patamar acima e dizem “ele faz isso porque tem um vazio na alma… tadinho dele… precisa de Jesus”, sim, parcialmente é verdade, mas depois que a pessoa se converte, ela sente que o vazio foi embora, e que Jesus a preencheu, isto é fato. Contudo, e sobretudo depois do início da conversão, do primeiro amor, e daquele estado maravilhoso da transição das trevas para luz, essa pessoa vai encontrar na sua vida problemas da luta com o pecado e ai reside o perigo, pois pode achar que não tem mais Jesus, e que ainda tem “o vazio” na alma e isso pode gerar conflitos na sua fé, na sua caminhada, no seu relacionamento com Jesus, comprometendo até mesmo sua continuidade no caminho cristão. Tudo por falta de clareza das coisas, por ensinamentos errados, por tais idéias que a cerca, sem tanger o profundo da vida cristã, do discipulado cristão. Não digo que as pessoas fazem e ensinam até errado de propósito, mas falta olhar o cânon que nós temos, pesquisar na Bíblia sobre Deus e nossa caminhada, temos na Palavra Revelada, a fonte de consulta. Se acreditamos que Ela é de Deus, por quê não a pesquisamos?

Pense nisso. Um abraço.

[1] Erickson, Milard J. Indrodução à teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 238.
[2] Op.. Cit.

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